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GĂȘnero, vulnerabilidade e autonomia
RepercussĂ”es JurĂdicas
- 512 pages
- Portuguese
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GĂȘnero, vulnerabilidade e autonomia
RepercussĂ”es JurĂdicas
About this book
O reconhecimento dos direitos de personalidade e a soma dos direitos fundamentais lastreados no princĂpio-garantia dignidade da pessoa humana nĂŁo tem sido suficientes para debelar as prĂĄticas sociais discriminatĂłrias em virtude de fatores como gĂȘnero, idade e deficiĂȘncia. Persiste no imaginĂĄrio social, a figura do sujeito de direitos abstrato ilustrado por sua normalidade e autonomia insulares que findam por diminuir e invisibilizar
aquela pessoa que traz consigo um ou vårios traços de vulnerabilidade.
Quando elementos como gĂȘnero e deficiĂȘncia se associam Ă certa condição social, nacionalidade e cor, potencializam as prĂĄticas de discriminação e de opressĂŁo das identidades, desafiando as doutrinas antidiscriminatĂłrias. A sinergia entre essas diversas fontes de discriminação demanda que o enfrentamento tambĂ©m se faça de forma sistĂȘmica,segundo o paradigma da interseccionalidade.
Nessa perspectiva, a anĂĄlise de gĂȘnero e deficiĂȘncia como critĂ©rios de discriminação e vulnerabilidade no Ăąmbito do direito privado, esbarrarĂĄ, inequivocamente, na interseccionalidade â ou seja, na interação sinergĂ©tica entre diversas modalidades de discriminação que vulnera ainda mais a pessoa. Mais vulnerĂĄvel e espoliado em sua autonomia serĂĄ aquele que sofre os efeitos dos mĂșltiplos fatores de opressĂŁo e discriminação.
A condição da mulher negra, de baixa renda, com deficiĂȘncia pode se tornar ainda mais gravosa se ela for idosa; pessoa com deficiĂȘncia que tambĂ©m Ă© transgĂȘnero sofrerĂĄ maior sorte de preconceito. Isso força a conclusĂŁo de que a classificação das pessoas em grupos especĂficos, segundo o gĂȘnero, a idade ou a deficiĂȘncia nĂŁo formarĂĄ coletivos homogĂȘneos. Em cada um deles, haverĂĄ pessoas que sofrem mais severamente a discriminação
e um maior déficit na sua cidadania pelo entrelaçamento de outros fatores discriminantes, o que também intensifica a sua vulnerabilidade social.
Neste grande grupo formado pelo gĂȘnero feminino, hĂĄ aquelas mulheres que se assentam em lugares altos e gozam de franca autonomia no ambiente domĂ©stico e profissional, enquanto muitas outras vivem imersas em um sistema de opressĂŁo domĂ©stica, social e/ou econĂŽmica do qual nĂŁo consegue se libertar. No Brasil, o vasto rol dos trabalhadores informais, considerados altamente vulnerĂĄveis pela ausĂȘncia de vĂnculos e condiçÔes dignas de trabalho, representa 38% (trinta e oito por cento) da população e desse contingente, 64% (sessenta e quatro por cento) sĂŁo mulheres negras.
Enquanto isso, a legislação afirma a igualdade entre homens e mulheres, proibindo qualquer forma de discriminação. O Supremo Tribunal Federal reconhece o direito Ă identidade de gĂȘnero e autodeterminação sexual, estendendo essa igualdade Ă s pessoas transgĂȘnero, e, nem assim, deixaram de sofrer os efeitos da exclusĂŁo e do preconceito que se materializa atĂ© mesmo na violĂȘncia fĂsica.
A despeito dessa igualdade prevista na Constituição e na jurisprudĂȘncia da alta corte, o patriarcado persiste na apropriação do feminino pela ocultação do valor do cuidado, na domesticação de sua autonomia corporal e nas diversas formas de violĂȘncia coibidas pela Lei Maria da Penha. Manifesta-se, sutil ou escancaradamente, nas decisĂ”es judiciais que alteram a guarda ou a convivĂȘncia com os filhos em virtude da vida pessoal
das mĂŁes. Julgado recente, originĂĄrio da primeira instĂąncia do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, transferiu a guarda de filho menor para o pai sob a fundamentação simplista e discriminatĂłria de que o homem, apenas por ser homem, reĂșne melhores condiçÔes para educar um menino.
Contraditoriamente, quando o tema Ă© o pagamento de alimentos, desconsidera-se a vulnerabilidade daquela mulher que se manteve fora do mercado para dedicar-se Ă s atividades do "cuidado" dirigidas ao marido e aos filhos, garantindo-se-lhe, quando
muito, os alimentos compensatĂłrios.
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Table of contents
- Capa
- Ficha catalogrĂĄfica
- Folha de rosto
- Créditos
- APRESENTAĂĂO
- SOBRE OS AUTORES
- PARTE I GĂNERO, VULNERABILIDADE E DEFICIĂNCIA
- LA PERSPECTIVA DE GĂNERO EN LA CONVENCIĂN INTERNACIONAL SOBRE LOS DERECHOS DE LAS PERSONAS CON DISCAPACIDAD Agustina Palacios
- Ă POSSĂVEL MITIGAR A CAPACIDADE E A AUTONOMIA DA PESSOA COM DEFICIĂNCIA PARA A PRĂTICA DE ATOS PATRIMONIAIS E EXISTENCIAIS? Aline de Miranda Valverde Terra e Ana Carolina Brochado Teixeira
- A PLENA CAPACIDADE CIVIL DA PESSOA MAIOR COM DEFICIĂNCIA INTELECTUAL OU PSĂQUICA E A FUNCIONALIZAĂĂO DO SISTEMA DE APOIO POR MEIO DA CURATELA Ana Beatriz Lima Pimentel Lopes e Vanessa Correia Mendes
- AS AUTONOMIAS DAS PESSOAS COM DEFICIĂNCIAS INTELECTUAIS E COGNITIVAS GRAVES Ana Paula Barbosa-Fohrmann e Luana Adriano AraĂșjo
- O CONCEITO JURĂDICO DE HIPERVULNERABILIDADE Ă NECESSĂRIO PARA O DIREITO? Carlos Nelson Konder e CĂntia Muniz de Souza Konder
- AFIRMAĂĂO DE GĂNERO NA TUTELA DA PESSOA COM DEFICIĂNCIA: UM TABU A SER QUEBRADO Heloisa Helena Barboza e Vitor Almeida
- EL DERECHO DE HABITACIĂN COMO MEDIO DE PROTECCIĂN DE LAS PERSONAS ESPAĂOLAS CON DISCAPACIDAD Pedro Botello Hermosa
- REQUISITOS DO LAUDO PERICIAL DO PORTADOR DE DEMĂNCIA NO PROCESSO DE INTERDIĂĂO PARA ELABORAĂĂO DE UM PLANO DE CURATELA Maria Aparecida Camargos Bicalho, Mariana Santos Lyra Corte Real e Gustavo CĂąmara Corte Real
- PARTE II GĂNERO E VULNERABILIDADE
- MULHERES EM TEMPOS DE COVID-19 Maria Celina Bodin de Moraes
- PARADIGMAS E PARADOXOS DOS MOVIMENTOS DE MULHERES (FEMINISTAS?) NO BRASIL Lutiana Nacur Lorentz
- A LIBERDADE DE EXPRESSĂO Ă TOLHIDA EM FUNĂĂO DO GĂNERO? Adriana Vidal de Oliveira e Caitlin Mulholland
- GĂNERO E TECNOLOGIA: PERSPECTIVAS SOBRE A RELAĂĂO ENTRE O FEMININO E AS DECISĂES TOMADAS POR ALGORITMOS NO MERCADO DE TRABALHO Ana FrazĂŁo e Maria Cristine Branco Lindoso
- SUPERENDIVIDAMENTO E GĂNERO: ENTRE NĂMEROS, PROBLEMAS E SOLUĂĂES Daniel Bucar e Caio Ribeiro Pires
- AS DISCUSSĂES SOBRE GĂNERO E VULNERABILIDADE PODEM SER MEDIADAS PELOS PRINCĂPIOS DA DIGNIDADE HUMANA E DA SOLIDARIEDADE? FabĂola Albuquerque Lobo
- ÂżA VIOLĂNCIA DOMĂSTICA REFLETE A DISCRIMINAĂĂO DE GĂNERO? Inmaculada Vivas TesĂłn
- DESIGUALDADE DE GĂNERO NOS CUIDADOS DE FIM DE VIDA Luciana Dadalto e Rafaela Borensztein
- DIREITOS E PROTEĂĂO: DIGNIDADE DA MULHER NA ORDEM CONSTITUCIONAL E PENAL Luiz Edson Fachin e DesdĂȘmona TenĂłrio de Brito Toledo Arruda
- POR QUE AS FORĂAS ARMADAS ENVIAM MILITARES TRANSGĂNEROS PARA A RESERVA OU NĂO OS APROVAM NA ETAPA INICIAL DE INGRESSO? Marcos Alberto Rocha Gonçalves e Melina Girardi Fachin
- COMO OS TRIBUNAIS BRASILEIROS TĂM TRATADO AS ATITUDES DISCRIMINATĂRIAS, SOB AS LENTES DA RESPONSABILIDADE CIVIL? Nelson Rosenvald e Felipe Peixoto Braga Netto
- PARTE III IDOSO E VULNERABILIDADE
- REFLEXĂES SOBRE O CONTEĂDO DIFERENCIADO DO PRINCĂPIO DO MELHOR INTERESSE QUANDO APLICĂVEL AO IDOSO Ana Carolina Brochado Teixeira e Joyceane Bezerra de Menezes
- A ALIENAĂĂO PARENTAL DO IDOSO Rolf Madaleno
- COMO O DIREITO DE FAMĂLIA TRATA A VULNERABILIDADE DO IDOSO? Sofia Miranda Rabelo e Andreza CĂĄssia da Silva Conceição
- Ă POSSĂVEL APLICAR AO IDOSO A MESMA SOLUĂĂO DO âABANDONO AFETIVOâ? TĂąnia da Silva Pereira e Livia Teixeira Leal
- PARTE IV GĂNERO E VULNERABILIDADE NO DIREITO DE FAMĂLIA E DAS SUCESSĂES
- A VULNERABILIDADE Ă UM CONCEITO QUE DEVE SER LEVADO EM CONTA PARA A RECONFIGURAĂĂO DA LEGĂTIMA? Ana Luiza Maia Nevares
- COMO O GĂNERO PODE INTERFERIR NO PLANEJAMENTO SUCESSĂRIO? Daniele Chaves Teixeira e AndrĂ© Luiz Arnt Ramos
- Ă POSSĂVEL AFIRMAR A EXISTĂNCIA DE UMA FAMĂLIA FORMADA PELO CONCUBINATO? QUAIS SERIAM SEUS EFEITOS JURĂDICOS? Luciana Brasileiro e Maria Rita Holanda
- A AUTONOMIA REPRODUTIVA DA MULHER E O ACESSO ĂS TĂCNICAS DE REPRODUĂĂO HUMANA ASSISTIDA Ă LUZ DA JURISPRUDĂNCIA Paula Moura Francesconi de Lemos Pereira
- A FIXAĂĂO DOS ALIMENTOS NO MOMENTO DO DIVĂRCIO RESSALTA A QUESTĂO DE GĂNERO E OFERECE RESPOSTA JURĂDICA SATISFATĂRIA A UMA EVENTUAL VULNERABILIDADE? Silvia Felipe MarzagĂŁo
- PARTE V GĂNERO, SAĂDE E EDUCAĂĂO
- EDUCAĂĂO E TRABALHO INTERDISCIPLINAR NA ASSISTĂNCIA Ă SAĂDE DE PESSOAS TRANSGĂNERO â RELATO DE EXPERIĂNCIA Aline Veras Morais Brilhante, Ana Paola de Castro e Lins, Christina CĂ©sar Praça Brasil e Tiago JosĂ© Nunes de Aguiar
- O ALCANCE DO PODER PARENTAL E AS DISCUSSĂES SOBRE âIDEOLOGIA DE GĂNEROâ EM ESCOLAS Ana Carla Harmatiuk Matos e LĂgia Ziggiotti de Oliveira
- APONTAMENTOS JURĂDICOS DA VIABILIDADE DO ENSINO SOBRE DIVERSIDADE DE GĂNERO NAS ESCOLAS BRASILEIRAS Gustavo CĂąmara Corte Real
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