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A Estrutura das Revoluções Científicas
About this book
A Guerra e Paz Editores traz pela primeira vez a Portugal a edição comemorativa do 50.º aniversário d'A Estrutura das Revoluções Científicas, livro publicado pela primeira vez pela editora da Universidade de Chicago em 1962. A obra punha em causa a assunção generalizada de que todas as mudanças científicas passam por um processo estritamente racional, tese que influenciou não só cientistas das áreas naturais, mas também economistas, historiadores, sociólogos e filósofos, desencadeando um poderoso debate.
Este livro comporta três conceitos fundamentais: paradigma – termo que aqui se popularizou –, ciência normal e revolução científica. O paradigma representa um conjunto de teorias, regras e métodos comummente aceites pela comunidade científica. Cada paradigma tem subjacente uma dada visão do mundo, correspondendo a mudança de paradigma a uma alteração radical dessa visão. A ciência normal traduz a circunstância em que o paradigma tem a sua vigência. Porém, durante esse período, podem surgir anomalias, que se revelam quando os esquemas explicativos dominantes já não se adequam à realidade. Surge então uma nova fase, que se materializa numa revolução científica.
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Science Research & MethodologyIndex
Biological SciencesA Estrutura das Revoluções Científicas
Título original: The Structure of Scientific Revolutions
Título: A Estrutura das Revoluções Científicas
Autor: Thomas S. Kuhn
© 1962, 1970, 1996, 2012 por The University of Chicago.
© Guerra e Paz, Editores, S.A., 2021
Reservados todos os direitos
A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico.
Tradução: Carlos Marques
Revisão: André Morgado
Tradução do «Ensaio introdutório»: André Morgado
Revisão do «Ensaio introdutório»: P. Vieira
Design: Ilídio J.B. Vasco
Isbn: 978-989-702-678-2

Guerra e Paz, Editores, Lda
R. Conde de Redondo, 8–5.º Esq.
1150-105 Lisboa
Tel.: 213 144 488 / Fax: 213 144 489
E-mail: [email protected]
www.guerraepaz.pt

índice
Ensaio introdutório
Prefácio
I. Introdução. Um papel para a história
II. O caminho para a ciência normal
III. A natureza da ciência normal
IV. A ciência normal como resolução de enigmas
V. A anterioridade dos paradigmas
VI. Anomalia e a emergência da descoberta científica
VII. Crise e a emergência das teorias científicas
VIII. Resposta à crise
IX. A natureza e a necessidade das revoluções científicas
X. As revoluções como mudanças na concepção do mundo
XI. A invisibilidade das revoluções
XII. A resolução das revoluções
XIII. Progresso através das revoluções
Posfácio – 1969
Ensaio introdutório
Ian Hacking
Os grandes livros são raros, e este é um deles. Leia-o e verá.
Salte esta introdução. Regresse mais tarde, se quiser perceber como o livro foi escrito, há meio século, qual o seu impacto e as polémicas que se geraram em torno das suas teses. Regresse, se quiser ler uma opinião informada sobre o estatuto do livro nos nossos dias.
Estas notas são uma introdução ao livro, não ao autor nem à sua vida. Normalmente, Kuhn chamava-lhe A Estrutura; em conversa, dizia apenas «o livro». Faço como ele fazia. A Tensão Essencial 1, que ele publicou imediatamente antes ou logo depois d’A Estrutura, é uma magnífica recolha de artigos filosóficos (por oposição a históricos). Pode ser vista como uma série de comentários e aprofundamentos, pelo que é um excelente compêndio para acompanhar a leitura.
Tendo em conta que esta é uma introdução ao livro A Estrutura, nada além d’A Tensão Essencial será aqui discutido. Refiro, contudo, que Kuhn dizia frequentemente, em conversa, que Black-Body and the Quantum Discontinuity, um estudo sobre a primeira revolução quântica, desencadeada por Max Planck no início do século xix, é um perfeito exemplo de tudo o que diz n’A Estrutura.2
Porque A Estrutura é um grande livro, pode ser lido de inúmeras maneiras e servir para muitos fins. Daí que esta introdução seja apenas uma leitura entre as muitas possíveis. O livro lançou uma vaga de livros sobre a vida e obra de Thomas Samuel Kuhn (1922-1994). Uma excelente introdução à sua obra, com um ponto de vista diferente do meu, pode ser consultada online, na Stanford Encyclopedia of Philosophy.3 Para as suas últimas memórias e pensamentos, veja-se a entrevista conduzida por Aristides Baltas, Kostas Gavroglu e Vassiliki Kindi, em 1993.4 Reconstructing Scientific Revolutions, de Paul Hoyningen-Huene5, era o livro sobre a sua obra que ele mais admirava. Para uma lista de todas as publicações de Kuhn, veja-se The Road Since Structure, de James Conant e John Haugeland.6
Há algo que não se diz com frequência suficiente: como todos os grandes livros, este é um labor de paixão e de desejo apaixonado por fazer um bom trabalho. Evidente logo na primeira página, com uma modesta primeira frase: «A história, se não for vista apenas como um repositório de curiosidades ou de cronologias, pode produzir uma transformação decisiva na imagem que temos hoje da ciência.»7 Thomas Kuhn queria mudar o nosso conhecimento das ciências – isto é, das actividades que permitiram à nossa espécie, para o bem e para o mal, dominar o planeta. Conseguiu-o.
1962
A presente edição comemora o quinquagésimo aniversário d’A Estrutura. O ano de 1962 foi há muito tempo. As ciências mudaram radicalmente. À época, a rainha das ciências era a física. Kuhn estudara física. Poucos a conheciam em profundidade, mas todos sabiam que era na física que tudo acontecia. A Guerra Fria estava a ser travada, portanto toda a gente conhecia a Bomba. Na escola, as crianças americanas tinham de praticar a melhor forma de se esconder por baixo das carteiras. Pelo menos uma vez por ano, as cidades faziam soar as sirenes que avisavam do perigo de bombardeamento, e todos tinham de encontrar um abrigo. Aqueles que protestavam contra a bomba nuclear, recusando-se ostensivamente a procurar um abrigo, podiam ser presos – e alguns foram-no. Quando Bob Dylan tocou pela primeira vez a música «A Hard Rain’s A-Gonna Fall», em Setembro de 1962, assumiu-se que falava de poeiras radioactivas. Em Outubro de 1962, deu-se a Crise dos Mísseis Cubanos, o momento em que o mundo esteve mais perto de uma guerra nuclear depois de 1945. A física e os seus perigos estavam no pensamento de todos.
A Guerra Fria acabou há muito, e já não é na física que tudo acontece. Outro acontecimento de 1962 foi a entrega dos prémios Nobel a Francis Crick e James Watson, pela biologia molecular do ADN, e a Max Perutz e John Kendrew, pela biologia molecular da hemoglobina. Esse foi o prenúncio da mudança. Hoje, quem ocupa o palco é a biotecnologia. O modelo de Kuhn foi a ciência física e a sua história. Quem ler este livro terá de decidir até que ponto aquilo que Kuhn defendeu acerca das ciências físicas continua a fazer sentido nos nossos dias, dominados pelo mundo da biotecnologia. A que se juntam as ciências da informação. E tudo o que o computador fez pela prática da ciência. Até a experimentação já não é o que era, pois foi modificada e, até certo ponto, substituída pela simulação computorizada. E todos sabemos que o computador mudou a comunicação. Em 1962, os resultados da investigação científica eram anunciados em encontros, seminários, pré-publicação de textos e, depois, em artigos publicados em revistas científicas especializadas. Hoje, o principal meio de publicação são os ficheiros digitais.
Há ainda outra diferença fundamental entre 2012 e 1962, que afecta o núcleo do livro: a física fundamental. Em 1962, havia duas cosmologias em competição: o estado estacionário e o Big Bang, dois modelos totalmente opostos sobre o universo e a sua origem. Depois de 1965 e da descoberta, quase por acaso, da radiação universal de fundo, restou apenas o Big Bang, prenhe de problemas excepcionais estudados como ciência normal. Em 1962, a física de altas energias parecia ser uma infindável recolha de cada vez mais partículas. O chamado modelo-padrão trouxe ordem ao caos. É incrivelmente exacto nas suas previsões, mesmo que não façamos ideia de como se conjuga com a gravidade. Talvez não haja uma nova revolução na física fundamental, mas haverá certamente surpresas em abundância.
Portanto, talvez A Estrutura das Revoluções Científicas seja – não digo que o é – mais relevante para uma época anterior da história da ciência do que para as ciências praticadas nos nossos dias.
Mas será este um livro de história ou de filosofia? Em 1968, Kuhn começou uma conferência frisando: «Encontro-me aqui perante vós como um historiador da ciência […] Sou membro da Associação Histórica Americana, não da filosófica.»8 No entanto, à medida que foi reorganizando o seu próprio passa...
Table of contents
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